aquele 28 de agosto.

Alucinando Foucault

Patrícia Duncker

sexto livro do Club

Data da reunião: 29/8/2010

Nota média dada pelos integrantes: 7,78

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Pode-se dizer que a reunião se iniciou como de costume. Ou conforme o esperado: com Mário Henrique Jacob explicando, rapidamente, o porquê de sua escolha. Ele tinha tomado conhecimento do livro-símbolo do mês do desgosto havia algum tempo – desde 2004, quando o comprara numa feira louca da usp e vidrara-se nos temas abordados. “Vertiginoso”, comentou.

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[Tais temas centrais, porém, obsessão e  loucura (e homossexualismo, como lembrou Fred), aparentemente são do interesse de vários do Club, não só de Mário. Sim, eles fizeram parte da reunião dominical.]

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Lílian adorou, achou animal e tinha feito bastante propaganda.

Fred não gostou, detonou, achou quadrado e criticou dizendo que deveria ser mais intelectualizado, propor discussões. Achou que mon petit é ridículo. É, Fred radicalizou e foi radicalizado – foi até acusado de ter coração de pedra.

Patrícia relacionou o protagonista a C., um velho conhecido.

Alguns membros do Club não leram, outros não terminaram, outros mantiveram-se no muro.

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A conclusão unânime foi de que o final é gratuito e de que o texto poderia ter sido editado a partir da conversa na praia.

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Houve ainda uma promessa de Fred Kling de postar mais no blog.

Firmou-se um acordo assinado entre mim, Redbee, Lírian e Jacob sobre presenças nas reuniões e direitos de autor.

E Danessa finalizou reiterando uma frase escutada:

“a gente não acredita, mas insiste”.

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O que realmente importa disso tudo?

Que mês que vem falaremos sobre a História do Pranto e que o ar terá aroma floral.

inspiração de um almoço.

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma

pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

Carlos Drummond de Andrade

cumprindo combinados.

a todos os que aguardam ansiosamente pela ata da última reunião: saibam que sairá. linda. com um atraso charmoso.

a única coisa a fazer é tocar um tango argentino

tentei escolher um título de língua portuguesa, mas, infelizmente, o que eu queria propor não está disponível nas livrarias da cidade [nem mesmo pr’aqueles que, como nós, têm influência em grandes redes].

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assim, para facilitar a vida, no lindo mês que inicia a estação das flores, ficamos com as páginas de

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história do pranto

alan pauls

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ah, deixo procês uma entrevista autor-revista bravo!

http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/livrosmateria_291167.shtml

ah, os setembrinos.

setembro, julgado por alguns como “mês de perdedores”, começa a discretamente se anunciar. dizem por aí que trará um bom astral, que revolucionará pontos de vista e que preencherá vazios com lirismo e poesia.

é, são os ares da primavera.

.o livro enquanto objeto, por ironia fina.

ah, um clube de livro não deveria limitar-se ao tratamento do texto, a discutir ideias literárias e/ou filosofias. levando em consideração que o processo de um livro envolve muito mais e que nós discutimos durante aproximadamente cinco minutos em cada reunião, esse miniartigo propõe serenamente que os títulos escolhidos sejam discutidos de maneira mais ampla e com novos olhares.

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discutamos a editora responsável, o material, debatamos sobre a apresentação geral do objeto, o design, falemos sobre quarta-capa, exposição em livraria e afins.

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forma e conteúdo.

porque beleza importa.

e inteligência é fundamental.

ironia fashion week.

nesta segunda-feira gélida, a ironia fina traz um tema que faz parte do dia a dia do club: moda.

sim, todos os integrantes têm um estilo bizarro interessante e próprio; é… não essas pessoas não são só inteligentes e safadas assíduas leitoras .

a moda e a elegância para todos é uma constante preocupação [botas, meias, cor de esmalte, lenços, pochetes e longos casacos de frio].

considerando este último item citado e lembrando que estamos no outono/inverno 2010, a reflexão proposta é em relação ao cliché “inverno é ótimo, as pessoas se vestem de maneira mais elegante; puro glamour”.

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puro glamour vestir conjunto de moletom roxo.

puro charme ver conjuntinhos de luvas, cachecol e gorro.

atração fatal ver o desfile de casacos de plush com desenhos de pandas, bambus e temas florais.

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vale lembrar que a temperatura dos últimos dias fez com que até mesmo danessy, entidade do bem vestir, cubrisse a cabeça com uma dessas esplendidas peças.

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torçamos por tempos mais quentes ou teremos de viver um constante freak-show.

[tá, foi só um desabafo. já passou.]

e, além disso, nas próximas reuniões teremos de trocar a cerveja e o syrah por vinho quente e shots de caçaça sopão.

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