Fofa!!

Lindinha!!!

Saramago vive.

“Os seres humanos são nascidos sem asas, é o que há de mais bonito: nascer sem asas e fazê-las crescer”.

Essa frase (que talvez nem esteja totalmente correta, mas é como a recordo) foi o primeiro contato que tive com o escritor Saramago. Eu estava então na oitava série. O ano, 1999. Li-a num sulfite pregado ao mural de cortiça da sala de coordenação da escola. As palavras chamaram-me a atenção e mais do que depressa eu as decorei (um costume antigo). Alguns anos mais tarde, eu já tinha lá uns 17, deparei-me com o mesmo excerto durante a leitura do Memorial do Convento e lembro-me da surpresa, e de como foi sincera a emoção por encontrar naquelas páginas algo que fazia parte de meu passado, minha história – as tais lacunas preenchidas.

Hoje, diante da triste notícia, essa lembrança emergiu necessária – como um mergulhador que vem à tona para recuperar o fôlego. Inevitável pensar no começo quando se chega ao fim. Porque, para mim, aquele foi o começo, e hoje, para ele, esse é “um” fim.

Saramago me fez amar o que é humano. Cru, desmistificado, autopsiado.

A humanidade exposta, em carne-viva. Frágil, falível e inacabada. E grandiosa por tudo isso.

LIVRO DO MÊS DE JUNHO.

O País das Neves

Autor: KAWABATA, YASUNARI
Editora: ESTAÇAO LIBERDADE

A primeira versão desta obra foi publicada originalmente em 1937, mas foi apenas dez anos depois, já influenciado pelos acontecimentos da Segunda Guerra, que o escritor japonês terminou a versão final deste romance sobre o amor espontâneo e sem nenhuma esperança de retribuição. Neste livro, de grande repercussão no Japão e no exterior (inclusive com adaptações para o cinema), Kawabata expõe a densidade e as contradições das relações humanas por meio do encontro entre Shimamura, um culto senhor de posses, Komako, uma gueixa das montanhas, e Yoko, uma bela jovem provinciana, trazendo ao leitor um texto comovente e lírico ao extremo. Em vez de provocantes paixões, o desperdício do amor e o sacrifício pessoal dos personagens conduzem-nos a uma atmosfera gélida, com pinceladas de forte afetividade, em que o branco da neve e o frio penetrante contribuem para dar o tom melancólico da narrativa. Não à toa; a estação termal de Yusawa, que o escritor visitou pela primeira vez em 1934, serviu de inspiração para a criação do cenário onde a história se passa.

Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente. Estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Kawabata suicidou-se em 1972.

Disponível nas melhores livrarias do ramo.

A Arte de Viver

Dei hoje uma das minhas habituais passadinhas pelo hospital (o de sempre, soro + insulina para corrigir a glicemia), e conheci um médico bacaninha, um tipo errado – gaúcho vegetariano, alemãoquenãobebecerveja -, que além do mais nem era da especialidade de que eu precisava. O sujeito me apareceu no ambulatório com o receituário: “A arte de viver”, Epicteto, Sharon Lebell – editora Sextante. Assunto filosofia. E veio com a informação completa: Esgotado na Livraria Cultura.
Prescrição de LIVRO eu nunca tinha visto.

Foi, no mínimo, inédito!

Faltei hoje ao Club por excesso de km. Espero compreensão.