Ata da IV Reunião do Clube do Livro.

Quando: 27/06/2010
Onde: Rua Heitor Penteado, para manter a tradição.
Especificamente, lar de Laszlo Kovacs
Hora do início da reunião: 18h38min30s
Presentes: Jack, Marcus Paulus, Liriam, Nina, Pernanda, Pat Maionese, Principe Encantado, Chantal Encantado, Danessa, Fredericus
Ausentes: Rimkus, Abelha, Theobaldus

“O balão vai subindo

Vem caindo a garoa

O céu é tão lindo

E a noite é tão boa

São João, São João,

Acende a fogueira

Do meu coração…”

Por meio de um correio eletrônico, todos foram intimados a comparecer à residência do senhor membro-rígido du Club. Começava, assim, a reunião junina. Não foi uma festa junina. Não teve pamonha, vinho-quente, quentão, hot-dog, canjica, bolo de milho, churrasquinho, churros, salsichão, paçoquinhas, amendoins ou pipocas. Não, nada disso. Também a fogueira não pôde ser acesa, já que o Sr. Proprietário do recinto não achou prudente. Não teve o calor do fogo nos nossos corações. O que houve foi o frio e a brancura d’ O País das Neves.
Vizinhos assíduos que são, os Flôres Melim queriam a companhia jacobina para assistir a vitória da Argentina. Chegaram cedo.
Logo após o jogo, Pernanda dá o ar de sua graça. E que graça ((suspiros)). Essa foi a noite da bela mulher-menina dos lábios carnudos. Que lábios ((mais suspiros)). Pouco depois, apareceram Chan, com seu Príncipe Encantado, e Pat, com uma exuberante garrafa de vodca. A hora passava. Cadê os outros membros? Nem todos deram a importância necessária ao Club. Porém, como não poderia ser diferente, o Casal Alvim-Kling juntou-se aos presentes. Já era hora.
A discussão começou com palavras phynnas de Fredericus. “Esse livro é ruim pra caramba. Quero saber quem além de mim leu, seus bostas.” Para sua feliz surpresa, muitos tinham se aventurado nas páginas de Kawabata. Nem todos gostaram… Sejamos sinceros, quase ninguém gostou. Como justificativa, Danessa levantou a hipótese de que não estaríamos, mortais e ignorantes que somos, preparados para um romance oriental. Todos concordaram.
Para seguir o padrão, solicitou-se que Fernoca explicasse o motivo de sua escolha. Ela culpou-nos todos por não querer ler um livro de mais de 200 páginas e disse que o escolheu pela excentricidade do autor, afinal, se não fosse ela, quem escolheria um romance oriental? Além do mais, ela gostaria de indicar outros romances, como Beleza e Tristeza, que não atendiam os requisitos da nossa seita. Pura desculpa. O livro é tão chato que nem mesmo nossa musa inspiradora de sonhos felizes e selvagens chegou a lê-lo inteiro. Leu até a pág. 32. E gostou do início do livro. Só ela mesmo.
Começamos a divagar sobre a Copa do Mundo, quando Chantal afirmou que a competição estava comprada pela Argentina, que já seria a campeã desde o princípio. A teoria pareceu fajuta. Bem lembrou nossa joaninha: o país está totalmente falido.
Concluímos que Frederico não entra em nosso blog. Logo ele, que adora bisbilhotar Facebooks alheios. E Redbee apareceu no MSN mandando uma carinha EMO. Ao saber disso, Pat pediu para ler uma citação da página 40. O excerto falava sobre diários, neve, inutilidade da escrita e das pessoas. Pat considerou ser essa a melhor passagem do livro. Marcos considerou como ápice do romance a morte de Yoko, personagem que teve uma vida fria, gélida e sem graça, mas encontrou em sua morte o calor, as chamas e a intensidade do fogo. Já Chanzuda, considerou a passagem em que Shimamura pega nos peitos da gueixa o grande clímax da história.
Nina brincava com os cabelos de Jacob e Fê pintava as unhas. Príncipe levantou alguns pontos interessantes do livro. Nossa majestade chamou atenção para a falta de desenvolvimento psicológico dos personagens, mostrando como Kawabata  os coloca no mesmo nível das paisagens e do clima. Falou também da escrita, que não empolga, é tão gelada quanto o que é narrado. Fred rebateu, então, dizendo que tudo era uma metáfora para mostrar a frieza das relações humanas onde, como no País das Neves, nem o sol é quente.
Algo foi mencionado sobre a riqueza descritiva, os vários recursos imagéticos e o clima onírico. Mas tudo isso ficou no ar, como uma leve névoa ou uma melodia baixinha cuja origem desconhecemos.
Após a votação secreta e completamente idônea, o livro obteve a média de 4,95, ainda superior à nossa primeira leitura, indicada pelo Fred, a qual teve a média ridícula de 4,8.
O livro não rendeu uma boa conversa, brevemente os assuntos se dissiparam e o macho alfa reprodutor da turma, Mago Merlim, precisou se despedir prematuramente dos amigos, já que Theobaldus, o pequenino primogênito, estava na casa de seus avós e precisava dormir em seu berço de ouro.
Terminada a parte formal da reunião, pedimos esfihas diretamente das Arábias. Demoraram uma eternidade para cruzar as perdizes, o sumaré e adentrar na Heitor Penteado. Enquanto não chegavam, a neve derreteu e o fogo tomou conta dos presentes. Jacob acendeu velas. Van deixou Danessa tomar conta de seu corpo e, seguindo o exemplo de Líriam, espalhou cheiradas de pescoço pela sala, pelo quarto e até pela cozinha. A vítima preferida das duas era, obviamente, Ferdinanda. Também, pudera!
Nina precisava de sossego, foi se recolher na cama de Jacob. Ficou tão à vontade que nem percebeu o fotógrafo. O pequeno tubo brincou e brincou e se sentiu muito feliz quando Fred quis participar de suas brincadeiras, enquanto o dono da casa os observava através de suas lentes da câmera e dos óculos. Para ajudar, Van também pulou na cama. Virou uma festa. Inocente. E essa foi a primeira e única vez que aquele quarto presenciou uma farra desse tipo.
Tomando as rédeas da situação, Fer fez todas as contas necessárias para que o alimento fosse garantido. E depois refez as contas. E depois refez as contas. E irritou-se um tantico de nada, como boa contadora que é. Por fim, todos receberam seus valores. A comida foi paga. Comemos e nos fartamos.

PS – Pouco foi conversado sobre a punição a ser aplicada nos ausentes. Mas existirá de fato. Junto com a punição dos faltantes na reunião anterior.

PS2 – Vale lembrar que temos algumas rigorosas regras em relação às faltas. Duas faltas seguidas ou três alternadas é motivo de banimento do Clube, o que não significa banimento do círculo de amizades. Algumas medidas são necessárias para manter a estabilidade e o bom convívio dos membros dessa instituição.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. lachattenoire
    jul 03, 2010 @ 13:30:51

    Acabei de ler o livro, finalmente! De fato, a única parte boa é a que Yoko pega fogo. E só!

    Já em Sin City… As coisas estão bem mais animadas!!!!!!

    Responder

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