Alguém pode colocar as vírgulas nos lugares certos?

Um dia isso vai ser parte de uma história maior.

Não. Não me apaixono. É verdade que já falhei algmas vezes – com efeitos trágicos. Os mais suaves e sensíveis irão dizer que tentar controlar essas coisas é uma grande bobagem, que ninguém controla o clima, quando chove ou venta ou relampagueia.
Não. Eu não me apaixono e é preciso uma vigilância constante. O amor é insidioso. Ele se esconde em lugares familiares. Ele se esconde sob a cama. No armário do banheiro, junto às escovas de dente. O amor se esconde nas frestas, em rostos desconhecidos, em gestos ocultos, em dias ensolarados e noites de chuva. Quem o procura, não encontra. Quem tenta fugir – por destempero, excesso de razão, hedonismo ou simples desconfiança – ele persegue implacável.
Como boa parte da humanidade acha que deve buscá-lo, é complicado fazer compreender o trabalho que dá fugir do amor.
Escapar por um fio, escapar por pouco, muito pouco, escapar esfolado, arranhado, queimado, quase sem membros.
Certos estavam os egípcios, que comparavam o amor aos gatos. Gatos são macios e confortáveis, até que, num momento de distração você acaba conhecendo as garras retráteis. Oh sim. Porque o amor, o amor mesmo, o amor nunca é pacífico. Não tiro a razão de Nelson Rodrigues: quando se ama há sangue e ranger de dentes, gosto de bile e cheiro de flores, mar de chamas, cabeças nas nuvens e pés no chão, encontro de impossíveis, desencontro de mentes. Conflito e des-razão.
Eu? Eu não me apaixono. Prefiro a parte do entendimento entre os corpos – algo que a idade ainda me permite: a hipersexualidade à tentativa vã de uma paz  entre personalidades.

Nequaquam amor. É preciso lutar contra ele – afinal, não é o destino de todo aquele que busca o amor a sarjeta, a decadência e, por fim, a solidão? Antes minha existência hedonista, melhor o frio na espinha e na barriga a cada beijo, uma coleção de línguas no céu de minha boca, uma coleção de sexos na ponta de minha língua. Antes a tormenta do amanhecer em lugares anônimos e desconhecidos, a variedade de lençóis asperos e incrivelmente macios.
Surpresas.
Eu? Eu não me apaixono.
Escapo por um fio, escapo por pouco, muito pouco.
Continuo adiante.

Anúncios

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Lílian Melim
    abr 07, 2010 @ 15:13:22

    Você já ganhou seu staus de volta. E seu texto não será alterado. Todas as vírgulas estão passando bem. =)
    Isso é autobiográfico?

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: